A APPS enaminhou em 16.04.2008, e-mail abaixo transcrito, aos responsáveis pela consulta pública relativa às novas normas para determinação do VCU para espécies forrageiras: 

 

 

Caro José Neumar Francelino

Coordenador de Sementes e Mudas do Mapa

 

 

A Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas – APPS, entidade que congrega os produtores de sementes de gramíneas forrageiras tropicais que detém a maior participação de mercado (nacional e de exportação) destas espécies, apóia e endossa as ponderações e sugestões feitas pelo Dr.PAULO BARDAUIL ALCÂNTARA, Diretor Geral do Instituto de Zootecnia – SAA/SP, abaixo transcritas:

 

Prezados Senhores,

 

Relativamente à Portaria n.º 53, de 02/04/2008 que trata de VCU para espécies forrageiras, temos a considerar o seguinte:

– O VCU não deve ser confundido com “Pesquisa” pois trata-se apenas de um procedimento para o lançamento de novos materiais no mercado. A pesquisa propriamente dita foi a que resultou no novo material a ser submetido aos testes de VCU

Assim, o VCU deveria apenas traçar um perfil geral acerca do comportamento do novo cultivar, dando uma idéia de sua produção e distribuição desta, aceitabilidade pelo animal, produção de sementes e tolerância a pragas e doenças.

– As gramíneas forrageiras tropicais são extremamente plásticas não se conhecendo, até o momento, restrições severas de plantio para nenhum dos cultivares em uso com relação a clima. No caso de restrições quanto ao solo, estas podem ser corrigidas.

Desse modo não entendemos a necessidade de realização de ensaios agronômicos (de corte) em três locais por bioma.

Tal exigência, além de encarecer o processo, traz dificuldades operacionais para institutos de pesquisa de âmbito estadual.

– Comparativamente aos VCU’s para milho e soja, o VCU para forrageiras é muito mais exigente, fato que nos causa estranheza como pesquisador da área há 33 anos.

– A avaliação sob pastejo deveria ser substituída por um ensaio mais barato como é o caso da “aceitabilidade”, pois o intuito não é executar um projeto científico de produção animal a pasto, mas simplesmente observar dados gerais de aceitação, rebrota, cobertura de solo, tolerância ao pisoteio.

A proposta de realização de ensaios de ganhos de peso é bastante onerosa por demandar infraestrutura complexa.

– O número de entidades públicas e privadas interessadas e/ou capazes de lançar novos materiais forrageiros no mercado não passa de meia dúzia. Não há porquê tamanha demonstração de preocupação do poder público com a concorrência privada.

– Uma vez que o sucesso de qualquer lançamento é regulado pela demanda, não vislumbro a real necessidade da adoção de procedimentos caros que poderão ser impeditivos ou desencorajadores àqueles que desejem realizar estudos e lançamentos de materiais novos.

– Até o momento nenhum cultivar de forrageira lançado pelos órgãos públicos (federais e estaduais) e pela iniciativa privada passou pelos testes de VCU propostos. No entanto, muitos materiais são sucesso de adoção até hoje. Citamos como exemplo: Marandu, Xaraés, Tanzânia, Tobiatã, Aruana, MG-4, B. decumbens, Basilisk, Humidícola, Áries, etc. Outros, lançados com os mesmos critérios, não tiveram a aceitação pelo mercado: Mulato I, Massai, Pojuca, Centenário, Atlas, Piatã.

Isto mostra claramente que independentemente dos testes de VCU, o mercado consumidor é quem vai determinar o sucesso ou não do novo material.

Todos esses cultivares foram lançados com dados fenológicos, agronômicos e de comportamento animal que não seguiram as normas de VCU mas que balizaram de maneira bastante segura o produtor rural.

Isto posto, sugerimos:

  1. redução dos ensaios de corte para 2 por bioma e avaliação em 1 ano agrícola;
  2. substituição da avaliação sob pastejo por ensaios de aceitabilidade com uso de animais por 1 ano agrícola em 1 local por bioma.

 

 Atenciosamente,

 

PAULO BARDAUIL ALCÂNTARA

Instituto de Zootecnia – SAA/SP

Diretor Geral